Há casais que partilham há anos um crédito à habitação, férias e até palavras passe de streaming, e ainda assim nunca tiveram uma conversa a sério sobre o que gostam, o que gostariam de experimentar ou o que já não lhes apetece tanto na cama. Não é invulgar, é aliás o mais comum do mundo. Falar de sexo com quem mais confiança nos tem continua a ser, paradoxalmente, uma das conversas que mais evitamos.
Também se fala de sexo, não é só viver o momento
Damos como garantido que a intimidade no casal devia fluir sozinha, sem precisar de palavras, como se falar sobre isso fosse admitir que algo está mal. É precisamente o contrário: os casais que vivem melhor a sua vida íntima não são os que "se entendem por magia", são os que se habituaram a falar do tema com a mesma naturalidade com que falam sobre para onde ir de férias. A conversa não é o sintoma do problema, é a ferramenta que evita que ele apareça.
Porque custa tanto abordar o tema
O medo mais comum não é falar de sexo em geral, é falar do vosso em concreto, com receio de que soe a crítica. Dizer "gostava de experimentar isto" pode ser ouvido como "o que fazemos não me basta", mesmo que não seja essa a intenção. A isto junta se o facto de quase ninguém ter visto um bom exemplo de como se faz esta conversa, por isso improvisa se, e a improvisação sem prática costuma sair desajeitada. Nada disto significa que o casal funcione mal, significa apenas que ninguém nos ensinou a ter esta conversa em concreto.
Como começar sem que pareça um interrogatório
Algumas indicações simples ajudam a que a primeira vez não seja também a última:
- Escolhe o momento, não a cama. Um passeio, a conversa depois do jantar ou o carro funcionam melhor do que o próprio momento íntimo, porque tiram pressão e dão espaço para pensar antes de responder.
- Fala de ti, não do outro. "Apetecia me experimentar" soa muito diferente de "nunca fazemos". O primeiro abre uma porta, o segundo soa a queixa mesmo sem essa intenção.
- Pergunta com curiosidade genuína. "O que é que gostas mais no que já fazemos?" abre muito melhor a conversa do que começar pelo que não funciona.
- Deixa espaço para o silêncio. Não é preciso resolver tudo numa única conversa. Às vezes basta abrir o tema e deixar que a outra pessoa pense nisso durante uns dias.
Transformar isto num plano a dois, não numa negociação
Depois de quebrado o gelo, a conversa costuma seguir naturalmente para uma pergunta muito concreta: o que nos apetece experimentar juntos? É aqui que muitos casais descobrem que juntar algo novo, como um brinquedo pensado para casais, não substitui nada do que já funciona, apenas acrescenta um pretexto partilhado para continuarem a explorar sem que nenhum dos dois tenha de tomar a iniciativa sozinho. Modelos como o Couty, pensado para estimular os dois ao mesmo tempo, funcionam bem exatamente por isso: transformam uma ideia que dava um pouco de vergonha dizer em voz alta em algo que se experimenta junto, em igualdade de circunstâncias. Se quiseres ver outras opções antes de decidir, já apresentámos algumas no nosso artigo sobre brinquedos pensados para casais.
Perguntas que nos fazem muitas vezes
E se o meu parceiro ficar na defensiva? É sinal de que a mensagem soou a crítica, não de que o tema esteja proibido. Vale a pena tentar de novo mais tarde, destacando primeiro o que já funciona antes de mencionar o que se gostaria de acrescentar.
É preciso falar absolutamente de tudo? Não. A ideia não é transformar a intimidade numa reunião de acompanhamento, é tirar o peso do silêncio nos temas que realmente importam, e deixar o resto fluir sozinho.
E se não coincidirmos no que nos apetece experimentar? É mais comum do que parece, e nem sempre é preciso chegar a um meio termo perfeito. Às vezes basta revezar, experimentar desta vez o que apetece mais a um e da próxima o que apetece mais ao outro.
A conversa é o primeiro passo, não o único
Falar sobre isto não resolve nada por magia, mas abre a porta a deixarem de dar como garantido o que o outro quer ou não quer. E depois de essa porta estar aberta, experimentar algo novo juntos deixa de ser um salto no escuro para se tornar, simplesmente, o passo seguinte de uma conversa que já tinham começado.





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